Mais de 100 profissionais da educação participaram do encontro que destacou a trajetória da ex-secretária de Educação de Goiás e defendeu maior representatividade do setor no Congresso Nacional
Uma segunda-feira comum se transformou em um grande ato de reconhecimento à educação em Quirinópolis. Mais de 100 professores, gestores, servidores e lideranças da região participaram de um encontro com a pré-candidata a deputada federal Fátima Gavioli, realizado no Lions Clube da cidade e organizado pela professora Narha Chaves e amigos.
O ambiente foi tomado por camisetas e balões verdes, abraços e manifestações de carinho que refletiam a relação construída por Fátima ao longo de décadas dedicadas à educação pública. A ex-secretária de Educação de Goiás foi recebida com gratidão por profissionais da área que acompanharam de perto a trajetória e os resultados alcançados durante sua gestão.
Ao abrir o evento, a professora Narha Chaves destacou a importância de a educação ter representação efetiva na Câmara Federal. Segundo ela, os avanços observados na educação goiana precisam ultrapassar as fronteiras do estado e chegar a todo o país. “Precisamos de alguém que conheça a realidade da educação e que ouça os anseios dos professores, gestores, servidores e estudantes”, afirmou.
Representando o deputado estadual Paulo Cézar Martins, o assessor parlamentar Ronne Cézar ressaltou a capacidade de mobilização do encontro e atribuiu a grande participação ao trabalho desenvolvido por Fátima ao longo dos mais de sete anos de gestão em Goiás. Para ele, a experiência e o conhecimento acumulados na gestão educacional podem contribuir para o fortalecimento das políticas públicas em âmbito nacional.

Trajetória
Mas o momento mais marcante da noite foi o relato pessoal da própria Fátima Gavioli. Antes de falar sobre resultados e números, ela apresentou uma história que muitos dos presentes desconheciam. “Agora quem vai falar com vocês não é a Fátima ex-secretária, que vocês já conhecem. É a Fátima que foi empregada doméstica e vendedora antes de ser professora e de chegar até aqui, essa a maioria ainda não conhece”, disse.
Filha de agricultores, nascida no Paraná, ela contou que viveu a infância em condições simples. Ainda criança, acompanhou a família na mudança para Rondônia, em busca de oportunidades oferecidas pelo processo de ocupação da região. Sem energia elétrica, sem estradas e sem escolas próximas, participou desde cedo do trabalho familiar na propriedade rural.
O sonho de estudar parecia distante. Aos 14 anos, Fátima Gavioli deixou a vida no campo para trabalhar como empregada doméstica e garantir a continuidade dos estudos. “Comecei a trabalhar como doméstica aos 14 anos. Foi naquela casa que encontrei a oportunidade de continuar estudando. Depois vieram os cursos técnicos, a faculdade de Letras e o sonho de ser professora começou a ganhar forma”, relembrou.
Mais tarde, ela se tornou vendedora, concluiu a graduação e ingressou na sala de aula, onde encontrou seu verdadeiro propósito. “Quando comecei a dar aulas, percebi que muitos dos meus alunos tinham pais que não sabiam ler nem escrever. Entendi que o problema não estava nas crianças, mas na realidade das famílias. Então fiz um acordo com meu diretor e passei a alfabetizar adultos e idosos fora do horário de trabalho. Fiquei cinco anos nesse projeto porque acreditava que a educação podia mudar vidas”, contou.
O trabalho voluntário ganhou repercussão após uma reportagem publicada na imprensa local. “Eu nunca imaginei que aquela iniciativa chegaria tão longe. Um jornalista conheceu o projeto, escreveu uma matéria sobre o trabalho que fazíamos e aquilo mudou completamente a minha vida”, afirmou.
A matéria despretensiosa sobre a dedicação dela levou o então governador de Rondônia a convidá-la para assumir a coordenação regional de ensino de sua cidade. “Eu tinha apenas cinco anos de carreira no Estado quando recebi o convite para assumir a Regional de Educação. Foi a alfabetização daqueles adultos que abriu essa porta. Ali eu entendi que quando fazemos mais do que somos pagos para fazer, os resultados aparecem.”

Desafios e conquistas
A partir daquele momento, sua trajetória passou a ser marcada pela gestão pública. Ela assumiu a Secretaria de Educação de Rondônia e, anos depois, recebeu um novo convite que mudaria sua história. “Quando fui convidada pelo ex-governador Ronaldo Caiado para assumir a SEDUC, confesso que achei que não daria conta. Goiás já era referência nacional. Mas aceitei o desafio porque sempre acreditei que trabalho, dedicação e compromisso podem transformar qualquer realidade”, destacou.
Durante sua fala, Fátima relembrou os desafios encontrados no início da gestão em Goiás, período marcado por dificuldades financeiras e estruturais. Segundo ela, o trabalho realizado ao longo dos anos permitiu ampliar investimentos em infraestrutura escolar, equipamentos, valorização profissional e programas de apoio aos estudantes.
Ela destacou ações como a construção e reforma de escolas, ampliação de quadras esportivas, entrega de uniformes, equipamentos tecnológicos para professores, fortalecimento do plano de carreira e medidas de proteção às servidoras vítimas de violência doméstica.
Para Fátima, a educação continua sendo a principal ferramenta de transformação social. “Eu não fiz gestão pensando em eleição. Fiz gestão pensando em resultado, em deixar escolas melhores, mais bonitas, mais dignas para alunos, professores e servidores”, afirmou.
Ao apresentar sua pré-candidatura à Câmara Federal, Gavioli defendeu a necessidade de ampliar o protagonismo feminino na política e garantir representação efetiva da educação pública brasileira no Congresso Nacional. “Professores, gestores e trabalhadores da educação precisam ter voz ativa nos debates nacionais e participação direta na construção de políticas públicas que impactam milhões de estudantes”, ponderou.
A história da menina que trabalhou como empregada doméstica para conseguir estudar e que chegou aos mais altos cargos da educação pública tornou-se o principal símbolo do encontro em Quirinópolis. Mais do que uma trajetória pessoal de superação, sua narrativa foi apresentada como prova de que a educação continua sendo o caminho mais poderoso para transformar vidas, criar oportunidades e construir um país mais justo.